O homem sentado nos degraus daquela velha casa já tinha meia idade. Sua aparência, tranqüila, leve e livre encobria suas rugas. O relógio naquela tarde marcava 16h23, mas o tempo chuvoso, frio e cinza lhe dava um ar de noite. Triste e melancólica.
O homem esperava o filho há horas.
Quando o jovem finalmente estacionou o carro, molhou-se completamente ao caminhar até os degraus da entrada da velha casa. Sua expressão era triste e melancólica – como a tarde que parecia noite – e deixava transparecer todo o seu cansaço.
O jovem sentou-se ao lado do pai e não lhe disse nada, apenas acendeu um cigarro. Este então tirou seu casaco e colocou-o sobre os ombros do filho.
Permaneceram em silêncio por um longo tempo, quando enfim, com os olhos cheios d'água, o jovem, olhando para o chão, disse: "Estou cansado".
O pai colocou a mão no queixo do jovem e ergueu-o em sua direção. Para ele, o jovem era ainda um menino, que chegava frustrado de uma partida de futebol por não ter defendido o último gol.
O pai continuou sem dizer nada. Desejava que o filho soubesse que estava ali.
O jovem desabou em lágrimas e, entre soluços, pronunciou frases soltas e desabafos.
O homem agora segurava a mão do jovem menino com firmeza e carinho. Sabia estar cedo para o filho pensar em desistir e se lembrou das vezes que também quis fazê-lo. Eram tantos conselhos... Mas, naquele momento, ele só podia ouvir. Seu filho não sabia que ele estava, esteve e estaria sempre lá, não sabia que sua mão estava estendida o tempo todo para puxá-lo, não sabia sequer que teria aqueles braços quando não tivesse o abraço de mais ninguém.
Esse pai queria, em seu querer mais profundo e desesperado, que o filho soubesse disso tudo. Mas não podia. Ele tinha partido há muito tempo atrás.
"Eu queria que você estivesse aqui" – disse por fim o jovem, secando suas lágrimas e entrando em casa.
"Eu estou, eu estou" – clamava o homem de meia idade, mas sua voz era silenciada pelo tempo.
Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008
Quinta-feira, 24 de Julho de 2008
A espera
Um novo vício virtual. O fim de mais um ciclo. A fase de Pac-Man se encerra. O relógio digital continua virando os números. É inevitável que venha marcar 17:25. Mais uma noite. 8:00. Outra sexta-feira. Na sequência imutável: Mais um fim-de-semana. Você continua esperando novidades. Riscando outra data no calendário. Um calendário cheio de "x". Que não significam nada. Um calendário cheio de "x" que não aponta uma contagem regressiva para qualquer coisa. Você continua esperando por novidades. Cruzando as pernas mais uma vez sobre a cadeira vermelha.
Se Deus fosse um cara legal como você, ele também cruzaria as pernas a espera de novidade?
Não, se Deus fosse um cara legal ele descruzaria os braços.
Se Deus fosse um cara legal como você, ele também cruzaria as pernas a espera de novidade?
Não, se Deus fosse um cara legal ele descruzaria os braços.
Sexta-feira, 11 de Julho de 2008
Tempo, tempo, tempo...
A vida deveria se chamar escolha.
As pessoas estão se decidindo o tempo todo. De decisão em decisão passam os dias, passam os meses, os anos e lá se vai uma vida.
Então lembre de sentar-se no terceiro lugar da primeira fileira de carteiras na terceira série, de escolher os olhos azuis aos verdes, que sua mãe quer ir ao baile, de visitar a Myllena no reveillon, de esperar mais e de não a mandar embora antes que ela lhe peça para ir.
Isso não impedirá que aos vinte anos você passe oito horas dentro de um minúsculo escritório emburrecendo-se.
Mas acredite, a vida deveria se chamar escolha. Seguir conselhos é um saco. Mas são só meia dúzia. Aos vinte anos você vai tomar meia dúzia de decisões nos vinte primeiros minutos do dia. Seguir conselhos é um saco, mas esses são fundamentais.
As pessoas estão se decidindo o tempo todo. De decisão em decisão passam os dias, passam os meses, os anos e lá se vai uma vida.
Então lembre de sentar-se no terceiro lugar da primeira fileira de carteiras na terceira série, de escolher os olhos azuis aos verdes, que sua mãe quer ir ao baile, de visitar a Myllena no reveillon, de esperar mais e de não a mandar embora antes que ela lhe peça para ir.
Isso não impedirá que aos vinte anos você passe oito horas dentro de um minúsculo escritório emburrecendo-se.
Mas acredite, a vida deveria se chamar escolha. Seguir conselhos é um saco. Mas são só meia dúzia. Aos vinte anos você vai tomar meia dúzia de decisões nos vinte primeiros minutos do dia. Seguir conselhos é um saco, mas esses são fundamentais.
Terça-feira, 1 de Julho de 2008
Metalúrgica RR - Causo I
A metalúrgica RR é situada numa pequena vila em São Bernardo do Campo. Prestadora de serviços, a metalúrgica, repassa porcas para grandes fabricantes e vendedores de parafusos.
Personagens primários:
Roberto: O baixinho. Assemelha-se fisicamente ao Zacarias, dos Trapalhões. Acredita piamente ser o mais inteligente e trabalhador dentre os funcionários, comprova sua crença ao receber um salário maior que o dos outros. Tem sempre na ponta da língua uma piada sobre o tamanho da cabeça dos nordestinos.
Zé Preto: O chucro. Assemelha-se dramaticamente as personagens bêbadas das novelas globais. É o mais trabalhador e provavelmente sequer sabe disso. Dificilmente tem algo a dizer.
Salvador: O magrelo. Assemelha-se fisicamente ao Seu Madruga, do Chaves. Acredita piamente ser o mais esforçado e mais injustiçado dentre os funcionários, comprova sua crença contando que soldou um macho ou tendo carona negada pelo patrão. Tem sempre uma reclamação a fazer.
Zé: O zé. Assemelha-se aos típicos Josés das músicas, contos e crônicas. Acredita que o trabalho lhe dará uma vida melhor. Nunca tem algo a falar.
Percebe: O migrante. Assemelha-se aos inúmeros personagens da vida real que saem de sua terra Natal em busca de oportunidades em São Paulo. Leva todos os dias uma garrafa térmica com café ao trabalho. Apenas metade das coisas que fala são entendíveis.
Personagens secundários: O dono e a secretária
Causo I
Quando o relógio marca 17:20 as máquinas são silenciadas, a porta de ferro é baixada. Dois funcionários vão para casa de bicicleta, outros dois a pé, e o outro varia entre o camelo e a motocicleta. Todos moram na mesma vila onde a empresa é localizada. Inclusive o dono e a secretária que, por serem padrasto e enteada, moram na mesma casa.
Roberto, Salvador, Zé Preto, Zé e Percebe se distinguem de qualquer outra pessoa que passe na rua por uma característica evidente: A cor de suas roupas. O ambiente pequeno da metalúrgica é dividido entre galpão e escritório. No galpão onde ficam as máquinas o chão é coberto por uma camada de óleo e há graxa por todos os lados.
Numa segunda-feira o Percebe, foi embora a pé. Seguiu a rua em frente, virou a direita em seguida a esquerda, andou um quarteirão, atravessou a rua, chegou ao segundo quarteirão. O quarteirão de sua casa. Alguns passos á frente já avistava os moradores de sua casa no portão. Por ser uma vila há sempre muita gente nos portões.
Um garoto extremamente pequeno começou a correr em sua direção de braços abertos gritando de alegria, seus cabelo loiro voava. Percebe, continuou andando vagarosamente em direção a criança, também de braços abertos. A cerca de cinco passos de alcançá-lo, a criança hesitou e parou. Ele também parou. O menino o olhou fixamente e fez cara de nojo, recuando dois passos. Percebe falou algumas de suas palavras não entendíveis e o menino disse: "você tá sujo". Percebe riu, eu ri. E o menino continuou "vai tomar banho" e em seguida correu em direção a casa. Percebe continuou seu caminho e eu fechei o portão de casa.
Personagens primários:
Roberto: O baixinho. Assemelha-se fisicamente ao Zacarias, dos Trapalhões. Acredita piamente ser o mais inteligente e trabalhador dentre os funcionários, comprova sua crença ao receber um salário maior que o dos outros. Tem sempre na ponta da língua uma piada sobre o tamanho da cabeça dos nordestinos.
Zé Preto: O chucro. Assemelha-se dramaticamente as personagens bêbadas das novelas globais. É o mais trabalhador e provavelmente sequer sabe disso. Dificilmente tem algo a dizer.
Salvador: O magrelo. Assemelha-se fisicamente ao Seu Madruga, do Chaves. Acredita piamente ser o mais esforçado e mais injustiçado dentre os funcionários, comprova sua crença contando que soldou um macho ou tendo carona negada pelo patrão. Tem sempre uma reclamação a fazer.
Zé: O zé. Assemelha-se aos típicos Josés das músicas, contos e crônicas. Acredita que o trabalho lhe dará uma vida melhor. Nunca tem algo a falar.
Percebe: O migrante. Assemelha-se aos inúmeros personagens da vida real que saem de sua terra Natal em busca de oportunidades em São Paulo. Leva todos os dias uma garrafa térmica com café ao trabalho. Apenas metade das coisas que fala são entendíveis.
Personagens secundários: O dono e a secretária
Causo I
Quando o relógio marca 17:20 as máquinas são silenciadas, a porta de ferro é baixada. Dois funcionários vão para casa de bicicleta, outros dois a pé, e o outro varia entre o camelo e a motocicleta. Todos moram na mesma vila onde a empresa é localizada. Inclusive o dono e a secretária que, por serem padrasto e enteada, moram na mesma casa.
Roberto, Salvador, Zé Preto, Zé e Percebe se distinguem de qualquer outra pessoa que passe na rua por uma característica evidente: A cor de suas roupas. O ambiente pequeno da metalúrgica é dividido entre galpão e escritório. No galpão onde ficam as máquinas o chão é coberto por uma camada de óleo e há graxa por todos os lados.
Numa segunda-feira o Percebe, foi embora a pé. Seguiu a rua em frente, virou a direita em seguida a esquerda, andou um quarteirão, atravessou a rua, chegou ao segundo quarteirão. O quarteirão de sua casa. Alguns passos á frente já avistava os moradores de sua casa no portão. Por ser uma vila há sempre muita gente nos portões.
Um garoto extremamente pequeno começou a correr em sua direção de braços abertos gritando de alegria, seus cabelo loiro voava. Percebe, continuou andando vagarosamente em direção a criança, também de braços abertos. A cerca de cinco passos de alcançá-lo, a criança hesitou e parou. Ele também parou. O menino o olhou fixamente e fez cara de nojo, recuando dois passos. Percebe falou algumas de suas palavras não entendíveis e o menino disse: "você tá sujo". Percebe riu, eu ri. E o menino continuou "vai tomar banho" e em seguida correu em direção a casa. Percebe continuou seu caminho e eu fechei o portão de casa.
Segunda-feira, 16 de Junho de 2008
Minha Paz
As coisas quando vão muito bem acompanham uma solidão para manter os pés no chão. Assim sempre foi.
A solidão sempre me caiu bem, lado a lado com a minha paz. Mas você chegou e me caiu bem também., me cai melhor que qualquer coisa que possa ir muito bem. E mesmo agora que elas já vão mal, eu não troco o " tudo indo bem" se vem junto a solidão. Deixo as coisas irem mal, porque você me cabe. Me cabe e cai melhor que qualquer coisa que possa ir bem.
A solidão sempre me caiu bem, lado a lado com a minha paz. Mas você chegou e me caiu bem também., me cai melhor que qualquer coisa que possa ir muito bem. E mesmo agora que elas já vão mal, eu não troco o " tudo indo bem" se vem junto a solidão. Deixo as coisas irem mal, porque você me cabe. Me cabe e cai melhor que qualquer coisa que possa ir bem.
Terça-feira, 10 de Junho de 2008
Um sábado no salão
Num sábado desses passei a tarde no salão. Embora eu vá impreterivelmente todo mês, nunca vou aos sábados na parte da tarde. Afinal o sábado é tão almejado após uma rotina massante, que perder esse dia por uma vaidade não é muito compensador. Como uma boa exceção, aquele sábado contrabalanceava. Mulheres, homens, crianças e (mais) mulheres entravam e saíam do estabelecimento.
Havia quatro noivas. Quatro. Entre as mulheres, homens e crianças, vários fotógrafos e operadores de câmeras circulavam pelo local. Os fotógrafos e operadores de câmera não deixam de ser homens e mulheres, mas estão referidos com outros substantivos, pois, naquele dia, diferente dos homens, mulheres e crianças, estavam exercendo sua profissão. Assim como os cabeleireiros, auxiliares e as secretárias. Lá aos sábados tem até muambeira. Não que eu duvide da procedência de sua mercadoria. Apenas não posso citá-la como uma simples vendedora de bijuteria enquanto ela passa os fins-de-semana cobrando cinco vezes mais do que realmente valem seus produtos. E as mulheres compram. Muito. Talvez isso tenha relação com a nossa rotulada sociedade de consumo, mas não vem ao caso, voltemos as noivas. Aos poucos a noite foi caindo. Uma por vez as noivas deixavam o salão em direção as igrejas. As quatro casariam na igreja.Carros antigos, euforia, véu e grinalda.
Elas saíam de lá com a certeza de que quando voltassem seriam outras mulheres. Fosse pelo anel de ouro na mão esquerda, fosse pelo sobrenome do eventual marido. Voltariam diferentes. Seus rostos expressavam a ansiedade por essa nova realidade. Talvez elas transparecessem tanta emoção porque estavam realizando um sonho. A pós-modernidade não implica mais em casamentos e mulheres sonharem em ter um bom marido. As mulheres pós-modernas são outras, mas ao ver aquela emoção e satisfação estampada nas quatro faces, entendi que, arcaico, moderno ou pós-moderno, seja a época que for, cada mulher espera passar a vida ao lado de um amor, mesmo que em alguns casos escondam esse desejo e coloquem o amor num patamar abaixo da realização profissional entre outras coisas. E nesse contexto meu cabeleireiro, Rogério, me perguntou: "Dani você vai ficar nervosa no dia do seu casamento?" Eu, enfática, respondi: "Nervosa? Nervosa vou ficar em dia de eleições." De fato, vou mesmo, inda mais depois de uma manhã ouvindo a Marta Suplicy explanar na rádio Bandeirantes.
Havia quatro noivas. Quatro. Entre as mulheres, homens e crianças, vários fotógrafos e operadores de câmeras circulavam pelo local. Os fotógrafos e operadores de câmera não deixam de ser homens e mulheres, mas estão referidos com outros substantivos, pois, naquele dia, diferente dos homens, mulheres e crianças, estavam exercendo sua profissão. Assim como os cabeleireiros, auxiliares e as secretárias. Lá aos sábados tem até muambeira. Não que eu duvide da procedência de sua mercadoria. Apenas não posso citá-la como uma simples vendedora de bijuteria enquanto ela passa os fins-de-semana cobrando cinco vezes mais do que realmente valem seus produtos. E as mulheres compram. Muito. Talvez isso tenha relação com a nossa rotulada sociedade de consumo, mas não vem ao caso, voltemos as noivas. Aos poucos a noite foi caindo. Uma por vez as noivas deixavam o salão em direção as igrejas. As quatro casariam na igreja.Carros antigos, euforia, véu e grinalda.
Elas saíam de lá com a certeza de que quando voltassem seriam outras mulheres. Fosse pelo anel de ouro na mão esquerda, fosse pelo sobrenome do eventual marido. Voltariam diferentes. Seus rostos expressavam a ansiedade por essa nova realidade. Talvez elas transparecessem tanta emoção porque estavam realizando um sonho. A pós-modernidade não implica mais em casamentos e mulheres sonharem em ter um bom marido. As mulheres pós-modernas são outras, mas ao ver aquela emoção e satisfação estampada nas quatro faces, entendi que, arcaico, moderno ou pós-moderno, seja a época que for, cada mulher espera passar a vida ao lado de um amor, mesmo que em alguns casos escondam esse desejo e coloquem o amor num patamar abaixo da realização profissional entre outras coisas. E nesse contexto meu cabeleireiro, Rogério, me perguntou: "Dani você vai ficar nervosa no dia do seu casamento?" Eu, enfática, respondi: "Nervosa? Nervosa vou ficar em dia de eleições." De fato, vou mesmo, inda mais depois de uma manhã ouvindo a Marta Suplicy explanar na rádio Bandeirantes.
Sexta-feira, 30 de Maio de 2008
O cigarro de cada dia.
Tá bom, eu assumo. Sou viciada sim. Pronto, falei.
E hoje, especialmente hoje, essa sexta-feira nublada com resquícios da chuva da madrugada, eu me sinto patética por causa disso. Não, não pela chuva ou pelo tempo nublado... Ok ok, por isso também, afinal uma semana inteira de Sol e quando chega o fim-de-semana o tempo muda!? Se eu acreditasse em seres mitólógicos talvez encontrasse uma explicação (para o mau tempo, não para meu vício).
O primeiro cigarro que experimentei na vida foi há uns dez anos, aquela sensação estranha, a tosse, a repulsa...
Depois disso só no colegial. A mesma sensação ruim. Mas a típica teimosia adolescente dos meus 14 para 15 anos fez com que eu aprendesse a tragar. Até ai alguns anos se seguiram com 3 ou 4 cigarros diários, eu nunca ficaria viciada. Tinha certeza. A típica certeza (errada) adolescente.
Anos mais tarde, aqui estou eu, desabando sobre o teclado, criando um blog para amenizar minha angústia, por não ter, até agora, fumado um cigarro. Sim, o cigarro já está pronto, na minha frente pedindo para ser aceso. Acendo-o. Trago-o. Respiro. Agora sim, posso contar o porque de ficar sem fumar até as 10:48h.
Chuviscava quando acordei. Se eu durmo tarde, acordo cedo com mais facilidade. Não fui a aula ontem a noite, logo não comprei cigarros. Tomei café-da-manhã com minha mãe e sai a tempo de compra-los e vir ao trabalho. No meio do caminho, um 'cara' pergunta se eu quero carona. Não tinha como dizer não, chuviscava. Aqui, como trabalho com meu padrasto evito ao máximo que me vejam fumando. O povo fala. Decepções desnecessárias. O 'cara' trabalha na firma da frente, conhece meu padrasto. Pedi para passar no mercado, lá compraria meus cigarros. Mas ele, todo simpático, desceu no mercado comigo. Comprei, então, copos descartáveis de café. No percurso de 3 minutos ele diz "você fuma", penso comigo "pronto a vivaldi inteira saberá" então respondo tímida, afinal, já tenho lá meus vinte anos, "mas eles não sabem". Ele sorri, "já percebi que você apaga o cigarro antes de entrar". Pois é, o 'cara' deve ter seus mais de 30 anos "eu também não dumo na frente dos meus pais". Ri. Pensei "podia ter comprado meus cigarros". Fui tomada de um alívio pois meu padrasto tinha dentista ás 10:00h, daria uma desculpa e compraria meu maço. 10:00 desmarco o dentista. Era o fim, crio um blog. A última luz da manhã surge, meu padrasto ia visitar um cliente. Ele sai. Espero aguns minutos, aviso o funcionário que preciso ir a farmácia e tomada de uma felicidade vou até a porta da firma. O susto. Chego lá e meu padrasto está conversando com um vizinho. Cinco segundos para pensar numa desculpa. "Eu ia na farmácia comprar uma coisa", ele me olha "Ou posso ir até em casa tem lá também", ele consente. Corro por dois quarteirões e meio, chego em casa, toco a campainha, disfarço com a empregada, cumprimento minha avó, pego o tal acessório feminino para não me sentir culpada, saio de casa, desvio um quarteirão, entro numa venda, ofegante pergunto "você te cigarros?" a senhora responde "qual você quer?" "o que tiver" "não, diz qual você quer" "marlboro light!". Tinha! Compro-os. Escondo na meia. Venho para a firma, meu padrasto continuava aqui. Começo a escrever no blog, ele sai. Acendo-o as 10:48. Descubro, que sou viciada.
E hoje, especialmente hoje, essa sexta-feira nublada com resquícios da chuva da madrugada, eu me sinto patética por causa disso. Não, não pela chuva ou pelo tempo nublado... Ok ok, por isso também, afinal uma semana inteira de Sol e quando chega o fim-de-semana o tempo muda!? Se eu acreditasse em seres mitólógicos talvez encontrasse uma explicação (para o mau tempo, não para meu vício).
O primeiro cigarro que experimentei na vida foi há uns dez anos, aquela sensação estranha, a tosse, a repulsa...
Depois disso só no colegial. A mesma sensação ruim. Mas a típica teimosia adolescente dos meus 14 para 15 anos fez com que eu aprendesse a tragar. Até ai alguns anos se seguiram com 3 ou 4 cigarros diários, eu nunca ficaria viciada. Tinha certeza. A típica certeza (errada) adolescente.
Anos mais tarde, aqui estou eu, desabando sobre o teclado, criando um blog para amenizar minha angústia, por não ter, até agora, fumado um cigarro. Sim, o cigarro já está pronto, na minha frente pedindo para ser aceso. Acendo-o. Trago-o. Respiro. Agora sim, posso contar o porque de ficar sem fumar até as 10:48h.
Chuviscava quando acordei. Se eu durmo tarde, acordo cedo com mais facilidade. Não fui a aula ontem a noite, logo não comprei cigarros. Tomei café-da-manhã com minha mãe e sai a tempo de compra-los e vir ao trabalho. No meio do caminho, um 'cara' pergunta se eu quero carona. Não tinha como dizer não, chuviscava. Aqui, como trabalho com meu padrasto evito ao máximo que me vejam fumando. O povo fala. Decepções desnecessárias. O 'cara' trabalha na firma da frente, conhece meu padrasto. Pedi para passar no mercado, lá compraria meus cigarros. Mas ele, todo simpático, desceu no mercado comigo. Comprei, então, copos descartáveis de café. No percurso de 3 minutos ele diz "você fuma", penso comigo "pronto a vivaldi inteira saberá" então respondo tímida, afinal, já tenho lá meus vinte anos, "mas eles não sabem". Ele sorri, "já percebi que você apaga o cigarro antes de entrar". Pois é, o 'cara' deve ter seus mais de 30 anos "eu também não dumo na frente dos meus pais". Ri. Pensei "podia ter comprado meus cigarros". Fui tomada de um alívio pois meu padrasto tinha dentista ás 10:00h, daria uma desculpa e compraria meu maço. 10:00 desmarco o dentista. Era o fim, crio um blog. A última luz da manhã surge, meu padrasto ia visitar um cliente. Ele sai. Espero aguns minutos, aviso o funcionário que preciso ir a farmácia e tomada de uma felicidade vou até a porta da firma. O susto. Chego lá e meu padrasto está conversando com um vizinho. Cinco segundos para pensar numa desculpa. "Eu ia na farmácia comprar uma coisa", ele me olha "Ou posso ir até em casa tem lá também", ele consente. Corro por dois quarteirões e meio, chego em casa, toco a campainha, disfarço com a empregada, cumprimento minha avó, pego o tal acessório feminino para não me sentir culpada, saio de casa, desvio um quarteirão, entro numa venda, ofegante pergunto "você te cigarros?" a senhora responde "qual você quer?" "o que tiver" "não, diz qual você quer" "marlboro light!". Tinha! Compro-os. Escondo na meia. Venho para a firma, meu padrasto continuava aqui. Começo a escrever no blog, ele sai. Acendo-o as 10:48. Descubro, que sou viciada.
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